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Repórteres de Bicicleta. Personagens de uma cidade com muitas histórias para contar








[19.8.08]


Olá!


Aos leitores e amigos dos Repórteres, uma explicação: a repórter de bicicleta está se dedicando à prova do mestrado, por isso nossos veículos estão parados desde o mês passado. Mas no dia 07 de setembro estaremos de volta, com novidades!



Publicado por Ellen & Felipe - 8:31 AM - Comente

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[7.7.08]




Sonhos em prática


De bicicleta, Eliana Garcia e Rodrigo Telles já viajaram por lugares como o Pantanal, o Sertão Nordestino, a Serra da Canastra e a Chapada dos Veadeiros, além de países da América do Sul. Mas por quê? São atletas, loucos ou será que não têm carro? Nenhuma das alternativas. Para o casal, juntar viagens e pedaladas consiste em uma experiência inesquecível: “Há a interação com a natureza muito grande, o contato com as pessoas, que é muito mais próximo do que se você chegar de carro ou mesmo a pé, e a sensação de liberdade e independência que todo cicloturista experimenta”, explica a bióloga, guia de ecoturismo e educadora ambiental. “Costumo fazer uma comparação, a sensação de viajar um mês de carro você obtém ao viajar um só final de semana de bicicleta. A quilometragem é menor, mas você traz muito mais lembranças, pode dizer que realmente conheceu o lugar quando foi de bicicleta”.

Eliana e Rodrigo criaram em 2001 o Clube de Cicloturismo do Brasil, uma instituição sem fins lucrativos com o objetivo de trocar informações entre os praticantes e estimular novos adeptos. “Com isso, acabamos criando uma rede de contatos muito grande e bastante ativa”, diz Eliana. “Nossa lista de discussão na internet está hoje com mais de 700 pessoas, uma das maiores sobre bicicleta do país. Já os cadastrados no Clube, que recebem nossos boletins são mais de 10 mil, com integrantes de todos os estados do Brasil”.




Mensalmente, o Clube de Cicloturismo realiza reuniões no Sesc Ipiranga, em São Paulo. É um espaço informal, onde interessados em se aventurar sobre duas rodas podem discutir assuntos como os itens necessários para colocar na mochila ou ainda conversar diretamente com os mais experientes. Assim, segundo Eliana, “fica bem mais fácil tomar coragem para colocar seus sonhos em prática”.

Fica bem mais fácil também quando o iniciante viaja pelas páginas do clube na internet. No site, há um manual para cicloturistas de primeira viagem; relatos de expedições pelo mundo; sugestões de roteiros; artigos; classificados; entrevistas e até uma explicação de como fazer um fogareiro. O conteúdo rico e vasto, de acordo com Eliana, é conseqüência do esforço da diretoria e dos colaboradores para estimular cada vez mais pessoas. A internet, aliás, “teve papel fundamental tanto na criação quanto na continuidade do Clube. Possibilita a comunicação entre os cicloturistas e a divulgação das atividades e eventos”. A equipe também participa de feiras e publica matérias em jornais e revistas. “Acho que o cicloturismo ainda vai crescer muito mais, ainda tem muita gente só começando a descobrir a atividade”, acredita. Tentar convencer mais pessoas é uma das práticas que os cicloturistas não se cansam. As outras são pedalar sentindo o ar, o frio, o calor... e contar as suas histórias.


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Conheça o Clube de Cicloturismo.

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Roberto, o blog nos fez conhecer muita gente que desenvolve projetos legais com seus veículos de duas rodas. Na maioria dos casos, uns ajudam os outros na divulgação do trabalho... como o Elias, do blog Piki da Trilha, que comentou também!



Publicado por Ellen & Felipe - 10:08 PM - Comente

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[2.7.08]




Valete entre as damas


Tudo começa já na barriga, quando ser é ainda uma possibilidade incerta. Aí começam os tons das conjecturas... Se for menina,rosa. Se for menino, azul. Se for menina, Marieta, Júlia, Beatriz... Se for menino, Domingos, João,Fernando. Se for menina,as bonecas, as sapatilhas de balé... Se for menino, os carrinhos, as chuteiras de futebol...

Aí a criança nasce. E no incessante correr da hora, as distinções vão se fazendo conjunturas. Não só no nome, no matiz do quarto, no corte do cabelo, meninos e meninas são diferenciados desde a infância. Desde as brincadeiras que podem, ou não, brincar... As atividades são separadas por questões, preconiza o senso comum, biológicas, físicas...

Por questões culturais, defende o professor de Educação Física João Paulo Fernandes Soares - que faz mestrado na Universidade Federal de Viçosa e desenvolve uma pesquisa com a temática do gênero. Para ele, não só nas brincadeiras, atividades ou esportes, as divisões entre homens e mulheres estão presentes em todos os espaços sociais. E estão ainda hoje, quase cinquenta anos depois que os estudos e movimentos acerca da questão da igualdade entre homens e mulheres começaram pelo mundo.

Mais do que lá na Violeira, em que homens - e somente homens - se divertiam no futebol e no truco naquele domingo de manhã, João Paulo afirma que atividades consideradas exclusivas ou para senhores ou para senhoras são latentes também na Universidade. "Somente há quatro anos, por exemplo, fora criado o campeonato de futsal feminino na copa DCE". Não só quando a bola rola, as distinções podem ser percebidas também nos cursos de graduação. Uns só para meninos - exatas e afins - outras só para meninas - humanas ou biológicas.

E o próprio João Paulo vive num destes espaços de predominância de gênero. Mas não de homens, de mulheres. Entre as quatorze pessoas de sua turma do mestrado em Economia Doméstica, apenas duas são do sexo masculino. Entre as quarenta e quatro pessoas que viajaram para um Congresso sobre Economia Doméstica em Petrolina meses atrás, apenas duas eram senhores. Ele e mais um colega, valetes entre as damas.



Publicado por Ellen & Felipe - 3:26 PM - Comente

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[28.6.08]









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Sávio, tem espaço sim. Mas, afinal, de que curinga estamos falando?


Publicado por Ellen & Felipe - 9:48 PM - Comente

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[27.6.08]




Nas rodas de jogo da Violeira


A cada pedalada a Violeira se estendia. A estrada que nas primeiras ruas eram de um asfalto escuro foi tomando as cores da terra. Os morros desembocavam em caminhos estreitos e a poeira do chão nos dava a impressão de que já havíamos passado por aqueles lugares quando formos ao Córrego Fundo.

Imaginando que isso não seria possível, Seu Divino - na prosa curta que tivemos no meio da estrada - nos explicou que se fóssemos em frente chegaríamos ao Zig Zag, Buieié, Córrego Fundo...

Voltamos. Lá atrás havíamos passado pelo campo e pelo espaço Dom Mingote, onde vários homens estavam reunidos para jogar e ver as partidas de futebol, para conversar, para tomar cerveja, para comer os aperetivos preparados por Seu Domingos (o Dom Mingote)...

Para jogar truco. Há mais de vinte anos que a mesa do jogo é montada todos os domingos pela manhã. E começa bem cedo, lá pelas 7h, 7h30. "Tem que chegar cedo, se não você fica de fora", disse-nos Mario, um dos jogaradores assíduos. Ele explica que os dez primeiros que chegam se dividem em dois grupos de cinco pessoas, as quais atuam em conjunto. As regras? Um pouco complicadas para serem explicadas aqui.. Mas eles entendem bem e geralmente jogam por longas cinco horas, e no fim a equipe que perde paga as despesas geradas pelo consumo no bar da dona Marieta, a única mulher - além da repórter - presente no lugar.

Ela que é esposa do Dom Mingote há 41 anos e mãe de quatro filhos homens (permita-me a redundância) diz que já se acostumou com aquela 'rapaziada'. Já se acostumou a figurar como a dama entre todos aqueles valetes.


Publicado por Ellen & Felipe - 1:09 PM - Comente

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[24.6.08]





15 de junho de 2008




08h13 - Início. Dessa vez, o destino era a Violeira.

08h49 - Pedalando pelo bairro, próximos à Comunidade Presbiteriana de Viçosa.

08h53 - Ellen vê uma folha de exercícios sobre resistores e potências. Lê e ri das perguntas fáceis (nem tanto para o repórter).

09h45 - Ainda pedalando. Cadê a notícia?

09h50 - Chegamos no Estádio Miguel Umbelino, próximo ao Dom Mingote.

10h13 - Tentamos puxar conversa com o Seu Divino, que voltava para casa de bicicleta, mas o assunto acabou bem rápido.

10h27 - A repórter percebe que, no meio de tantos homens no Dom Mingote, uma senhora cuidava da panela no fogão a lenha.

10h42 - Conversa com o pessoal que jogava truco.

10h56 - Ellen compra pastel de pizza.

11h05 - Mário, um dos jogadores de truco, explica as regras da mesa.

11h20 - Conversa com a Dona Matilde.

11h58 - Volta para o centro. Fim.


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Esta é a sétima edição do Ano II realiada no dia 15 de junho. O mapa animado abaixo mostra o trajeto dos repórteres e suas bicicletas da Avenida Bueno Brandão ao Bairro da Violeira. Como visualizar o Google Maps: no lado esquerdo, na parte de cima, é possível aumentar ou diminuir o campo de visão, clicando em + ou -; ou movimentá-lo, clicando nas setas de direita e esquerda, para cima e para baixo.


Exibir mapa ampliado


No meio do caminho tinha...



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[ por Jeferson Boechat]


Se algum dia não existir mais infância, com as brincadeiras, as teimosias, as fantasias, eu desisto de tudo... em definitivo.

Hoje, muitas crianças estão condenadas à prisão dos video-games ou à banalidade de coisas como a “dança do créu”. Cruzes!

Assim como existe uma política oficial de proteção ao meio ambiente ou à saúde da família, deveria existir uma política de proteção moral da infância que exigisse das crianças o desempenho de atividades lúdicas dos mais variados tipos.

Tal política deveria ser estendida, inclusive, para jovens e adultos em estado de brutalização ou de avançado stress.


Publicado por Ellen & Felipe - 10:10 AM - Comente

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[21.6.08]




Pedalando, à luz de lua cheia



Quinta feira (20/03), as 10h da manhã: Lucas e mais três amigos - Tomi, Mateus e Yuri - pegam suas bicicletas. Pedalando, pretendem chegar ao Pico do Boné para aproveitar o feriado da Páscoa.De Viçosa até o parque, que fica no município de Araponga,a distância é 80 km.

Quinta feira (20/03) as 10h da noite: enfim, os quatro amigos estão diante do Pico (que fica a 1870 m de altitude.) A viagem que, num ritmo normal duraria cinco, seis horas, se prolongou por desgastantes doze horas.

Primeiro foi o guidon da bicicleta de Lucas que rachou.Rodaram pela cidade de São Miguel do Anta, não tinha. Seguiram para Canaã e finalmente puderam trocá-lo.
Depois, o que quebra é o câmbio da bicicleta de Yuri. Mas aí não tem mais jeito, no meio da estrada não há como reparar o problema.Para continuar é preciso caminhar e empurrar a bicicleta. Por 20km.

A aventura até a Serra do Brigadeiro - onde esta localizado o Pico do Boné - foi a última encarada pelo estudante de Agronomia da Universidade Federal de Viçosa, Lucas Bigardi.

Para cursar inicialmente Economia (a transferÊncia de curso foi realizada este ano), ele chegou em Viçosa no ano de 2005, e como muitos estudantes apostou na praticidade da bicicleta para enfrentar a longa reta do campus da UFV, e os longos morros da cidade...E mais do que para chegar às aulas, o paulista Lucas apostou nas pedaladas para conhecer o imenso estado das Minas Gerais.


Em 2006, ele e mais quatro amigos do antigo curso pedalaram cerca de 230 km na viagem que fizeram de Ouro Petro a São João Del Rei, onde estava acontecendo um Encontro Nacional dos Estudantes de Economia. Percorrendo a Estrada Real(que liga Diamantina a Parati-RJ) além de conhecerem várias cidades históricas, experimentaram a boa - e já vivenciada por estes Repórteres de Bicicleta - hospitalidade mineira...Na casa de uns tomaram água, em outras almoçaram...

Seja nos caminhos do dia-a-dia ou nos que encara para fugir do cotiano, Lucas acredita que andar de bicicleta traz mais do que benefícios econômicos, ecológicos ou físicos. "Mais importante do que tudo isso é que pedalando você sente o lugar, o clima, o vento. Você sente o ambiente em si"

E pedalando ele pôde ver a lua cheia que, lá do alto, iluminava a madrugada do dia em que eles e os amigos decidiram pegar a estrada até a Cachoeira Grande, em Canaã.

Publicado por Ellen & Felipe - 11:52 PM - Comente

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[18.6.08]




Sobre meninos e pipas


Aos 10 anos, um garoto estuda na quarta série e brinca nas ruas do Laranjal. Com essa mesma idade, um outro menino teve de deixar os estudos e as brincadeiras para trabalhar com o pai. Entre os dois, há diversas diferenças - principalmente temporais e geográficas. Mas pelo menos uma coisa em comum: o interesse pelas pipas, papéis coloridos que dançam no ar. O primeiro é o Alisson, que conhecemos numa tarde nublada. O outro é Benjamin Franklin, o escritor, estadista e cientista que em 1752, aos 46 anos, fez descobertas sobre a eletricidade após empinar pipas com o filho, em dias de tempestade.

O astrônomo inglês Alexander Wilson também fez uso delas em suas experiências. Três anos antes de Franklin, ele amarrou termômetros em pipas para medir a variação de temperatura em grandes alturas. E Santos Dumont, quem diria!, inspirou-se em um modelo do brinquedo para a construção do 14-Bis.

Viu só? Brinquedos como a pipa podem revelar muitas histórias - há registros de sua utilização pelos chineses e gregos, ha três mil anos, com fins religiosos e militares. E, além de contribuirem com descobertas e invenções, esses objetos de diversão podem ser usados para a popularização do conhecimento científico. É o que acontece no Parque da Ciência, localizado na UFV. Nesse espaço, bolinhas de gude, casinhas e bonecos, ao lado de espelhos, maquetes, ímãs e uma cadeira de pregos, entre outros equipamentos, explicam assuntos como astronomia, teoremas matemáticos, funcionamento da eletricidade e funções do corpo humano. O parque, em funcionamento desde 1997, tem a proposta de "popularizar a ciência e a tecnologia, na percepção de que é muito importante esse conhecimento no mundo atual", como destacou Evandro Ferreira Passos, diretor do local e professor do Departamento de Física da Universidade.




O professor explicou como a pipa dança no céu. Naturalmente, as massas de ar aquecidas sobem e as mais frias descem. Essa dinâmica da atmosfera produz o vento, que sustenta a pipa, o papagaio, a arraia e outros "derivados" no ar. Mas a brincadeira só dá certo se o formato e a posição da vareta estiverem corretos; é o que possibilita a sua aerodinâmica. No caso da pipa, a rabiola serve para promover a estabilidade no ar, permitindo assim sua melhor dirigibilidade.

Evandro também lembrou de sua infância soltando pipas na rua, como Alisson. Agora ele se preocupa mais com a ciência, como Benjamin Franklin. Mas, ao recordar das brincadeiras no Rio de Janeiro, demonstra que ainda existe um menino, um moleque, morando sempre no coração... como na música.


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* Parque da Ciência "Professor Fábio Hamilton Leão Jório"
Visitação de terça a sexta, das 8h às 18h (visitas escolares agendadas previamente)
Aos sábados, entrada aberta à comunidade, das 14h às 18h
Telefone: (31) 3899-2699




Publicado por Ellen & Felipe - 10:59 AM - Comente

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