Às vezes a chuva atrapalhava. Havia dias em que o portão não abria ou a corrente insistia em escapar. Sem contar as subidas, o calor, o cansaço. Mas os Repórteres de Bicicleta nunca desistiram. Tivemos de enfrentar alguns obstáculos durante o percurso, como o ocorrido ontem. Os vídeos simplesmente não carregavam! Enfim, com um dia de atraso, publicamos o encerramento do nosso projeto, compartilhando momentos da entrega de fotos em bairros de Viçosa e também de edições anteriores.
Aproveitamos para dizer obrigado/obrigada. Se fomos tão longe, certamente é porque não havia só nós dois na estrada. Agradecemos a todos que nos estimularam, seja divulgando o nosso trabalho, comentando ou orientando. A todos que nos auxiliaram, seja elaborando o template, explicando detalhes técnicos, sendo repórter de bicicleta por um dia, emprestando seu veículo ou participando de um divertido coral. A todos que visitaram nossa página, e também a quem nos permitiu uma visita em suas casas. A todos que concederam entrevistas e aos colaboradores e comentaristas do blog.
Depois do atraso e de tantos gerúndios, encontram-se abaixo as duas partes do vídeo:
Aos amigos e leitores dos Repórteres, informamos que alguns problemas técnicos estão dificultando a postagem dos vídeos. Esperamos solucionar esses problemas amanhã. Sinceras desculpas!
Na semana que vem, vai ao ar a última edição dos Repórteres de Bicicleta, com a entrega de fotos em alguns dos bairros percorridos na temporada 2008: Cristais, Lourdes, Grota dos Camilos e Barrinha.
2008 já está no fim... Ano de projetos, livros, monografias, expectativas, mudanças e dúvidas (muitas dúvidas!). Em meio a tanta correria e tantas preocupações, as bicicletas nem sempre foram utilizadas nos domingos de manhã. Elas estavam prontas para o trabalho; os “ciclórteres” é que não estavam muito disponíveis. Pedimos desculpas àqueles que não encontram informações no blog desde outubro (uma eternidade no mundo da internet) e agradecemos mais uma vez a quem acessou, comentou, criticou e acreditou. E a quem nos permitiu adentrar suas casas e/ou suas histórias nesses dois anos de pedaladas. Feliz Ano Novo!
Mas não estamos nos despedindo. Pelo menos AINDA não. Em janeiro, passe aqui. Estaremos esperando!
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Em tempo: nosso amigo e blogueiro Rodrigo Resende, do Segunda MG , bolou uma campanha para ajudar os catarinenses que sofreram com os desastres decorrentes das fortes chuvas. Nos atrasamos um pouco para divulgar a campanha, mas ainda é possível fazer as doações nas contas da defesa civil. Se você tem blog, também pode ajudar postando esse banner.
Sob a ponte, paramos para, mais uma vez, nos despedirmos de Dona Cidinha e suas filhas Nayara e Kelly.
Ela nos falava de quando o rio enche e cobre a ponte, deixando toda sua família isolada durante um dia ou mais, lá na Rua Maria Gabriela de Jesus, em Barrinha. Já as meninas brincavam com um enorme pedaço da fita de uma cassete que encontraram no rio. Puxaram-a da água - não totalmente - e no pedaço que tinham às mãos enrolavam pedras e afundavam-nas, enrolavam pedras e afundavam-nas...
Enrolavam pedras na fita que um dia gravou e revelou histórias. Vividas ou imaginadas.Histórias de outras meninas que jogam pedras no rio, que brincam, enquanto vêem a visita arrematar a conversa e partir.Se despedindo de sua mãe e prometendo voltar. Nesta história, a visita éramos nós, os Repórteres de Bicicleta.Se não fosse a magia, ah...poderíamos dizer que somos guiados por um roteiro de um filme de alguma fita cassete.
Por um roteiro que nos fez chegar àquela rua lá da Barrinha, onde só encontramos uma casa. A da dona Cidinha. Quando vimos o fim da rua paramos e começamos a conversar. Ela nos ouviu e foi à janela. E dali, emoldurada, revelou-nos os instantes da vida que nem sempre páram.
Nasceu na Roça, perto do município de Paula Cândido. Há mais de dez anos mudou para Viçosa.Depois que casou com Valdeci.Com o marido, cria as duas filhas Nayara de 9 anos e Kelly de 7 ("essa é dura na arte, sai com o avô para buscar boi, sempre descalça..") Antes disso, quando ainda era uma menina de 16,17 anos (ela não lembra ao certo) foi trabalhar na casa de uma família na cidade de Niterói.Mas logo voltou. "A patroa era muito enjoada." Pelo menos conheceu a praia!
Brincalhona.Simpática.Alegre.Nos convidou para entrar.Nos ofereceu refrigerante e batata palha.Nos mostrou o galinheiro e uma muda de milho plantada em seu quintal.Nos levou à sala.E de cima do armário tirou os rémedios que toma há 9 anos para controlar a depressão.
No domingo (5/10), aos 32 anos iria votar pela segunda vez na vida.A primeira numa eleição municipal. Para vereador já tinha candidato.Um homem que lhe ajudara quando sua caçula precisou fazer uma operação no pé.
Para prefeito, ainda não sabia. Mas não tinha gostado da atual administração. Afinal, eles não arrumaram a ponte. E sempre que chega dezembro - ah! a a vida parece ensaiada numa fita cassete - a cena se repete: o rio enche.E fica impossível atravessar...
8h42 - Começamos a vigésima terceira(!) edição dos Repórteres.
9h11 - Chegamos na Barrinha.
9h15 - Saímos da Barrinha, como um senhor nos disse. Já estávamos no Distrito Industrial, então tivemos de voltar.
9h21 - Vimos um bazar no pátio da igreja. Várias crianças brincavam na pescaria.
9h26 - Estávamos tirando foto em um lugar e conversando sobre assuntos monográficos, quando uma senhora ficou olhando da janela de sua casa. A princípio, Ellen ficou receosa, mas a mulher demonstrou simpatia.
9h33 - Após subirmos mais um pouco, voltamos ao local e começamos a conversar com essa senhora, a Dona Cida.
10h09 - Muito papo depois, fomos convidados a "chegar" em sua casa.
10h43 - Tiramos foto de Dona Cida e as duas filhas, Nayara e Kelly.
10h56 - Ellen jogou peteca com as meninas.
11h21 - Fomos embora, prometendo voltar com fotos reveladas, no mês de dezembro.